A Hora da Estrela, de Clarice Lispector

  • 12:42
  • 09 novembro 2015

  • O livro narra a história de uma jovem nordestina, mas precisamente de Alagoas, que vem para o Sudeste em busca de uma vida melhor.  Este foi o último romance desta grande escritora e talvez o seu livro mais famoso. A obra foi adaptada para o cinema em 1984.


    No Rio de Janeiro, ela consegue um trabalho de datilógrafa. Para quem não sabe, antigamente existiam grandes escritórios que contratavam moças para redigir textos e mais textos na máquina de escrever. Era um barulho ensurdecedor.
    O livro é narrado por um homem, como se ele fosse o escritor e não Clarice Lispector. Na dedicatória ele escreve: “sei que há moças que vendem o corpo, única posse real, em troca de um bom jantar em vez de um sanduíche de mortadela. Mas a pessoa de quem falarei mal tem corpo para vender, ninguém a quer, ela é virgem e inócua, não faz falta a ninguém”.


    Ele se refere a Macabea que foi abandonada pelo namorado Olímpico de Jesus. Ele a trocou por uma moça que tem melhor condição financeira do que ela. O único luxo dela era tomar um gole de café antes de dormir e no domingo acordar mais cedo para ficar mais tempo sem fazer nada.
    Ser traída e abandonada não é fácil. Passa pela cabeça milhares de sentimentos e um deles é você se sentir um verdadeiro lixo e querer saber o porquê da traição.
    Imagina ser deixada por outra com a justificativa de que ela tem mais dinheiro? Neste dilema, Macabea se acha incompetente para a vida. E você ao mesmo tempo reflete: será que também sou incompetente para a vida?


    A partir desta decepção amorosa Macabea começa a mostrar seu sofrimento mais íntimo e o leitor acompanha todos os pensamentos da jovem desiludida.
    Livro triste e que tem passagens como esta de doer o coração: “era hoje o fantasma suave e terrificante de uma infância sem bola nem boneca”. Como não gostar de uma obra que nos leva para os sentimentos mais profundos da alma. Como dizia Clarice, quando falavam que sua literatura era difícil: “Tem gente que cose para fora, eu coso para dentro”.

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